“Não habitamos mais o mesmo tempo;
eles vivem outra história.” (
Serres,2013, p.17)
O livro Polegarzinha de Michel Serres traça um perfil de um
individuo nascido na era digital e conectado a esta através de dispositivos
como o celular. A palavra faz referência
ao polegar usado para escrever no celular que começou com o teclado fixo e
continua até hoje com o teclado touchscreen.
Serres fala da polegarzhinha a partir do contexto francês, mais urbano
do que rural , na qual o acesso a cibercultura atinge a maior parte da
população, principalmente dos jovens.
O Brasil, chamado de país em
desenvolvimento, possui realidades históricas, sociais e econômicas diferentes
do contexto francês. Mas também reconhecemos aqui o polegarzinho ou
polegarzinha que Serres reconheceu no seu país. Este sujeito já não constrói o conhecimento,
já não estuda como seus pais, para ele atividade de memorização é
desnecessário, copiar para quê? Ele sabe que pode acessar qualquer informação
na hora que quiser. “Agora, a cabeça decapitada da polegarzinha se diferencia
das antigas, mais bem-constituídas do que cheias.” (Serres,2013, p.37). A
linguagem desse sujeito é outra e em consequência sua forma de pensar também.
A escola na qual esse
sujeito passa boa parte do seu tempo vive em outra sintonia, esta nasceu muitos
séculos atrás e possui grandes dificuldades em se atualizar. Assim para esta a
polegarzinha é um estranho um ingrato que não reconhece o seu esforço para
educá-lo. E como se não falassem a mesma língua, e não falam.
É importante ressaltar que uma das funções da
escola é contribuir para o desenvolvimento de competências e habilidades para
que crianças e jovens atuem como autores na sociedade, para isso é preciso
entender como essas crianças aprendem, em quais linguagens se comunicam e quais
são as configurações sociais que estão inseridas. A escola precisa se
constituir no diálogo com os
educandos e se ressignificar de acordo
com as problemáticas que surgem partir deste.Apenas dessa forma a utilidade da escola como instituição será
reconhecida pelo seu público.
Pois é Luciene,
ResponderExcluiracho que um dos grandes problemas da escola hoje é desconhecer quem são esses jovens alunos que chegam, ali transitam, vivem, convivem... Que fazem? que gostam? que querem? Como pensam? são os mesmos em qualquer lugar? sabemos muito pouco sobre eles... e sem esse conhecimento, continuamos tentando educar um sujeito abstrato, vazio...