terça-feira, 12 de maio de 2015

A POLEGARZINHA E A ESCOLA

“Não habitamos mais o mesmo tempo;
             eles vivem outra história.” ( Serres,2013, p.17)


O livro Polegarzinha  de Michel Serres traça um perfil de um individuo nascido na era digital e conectado a esta através de dispositivos como o celular.  A palavra faz referência ao polegar usado para escrever no celular que começou com o teclado fixo e continua até hoje com o teclado touchscreen.  Serres fala da polegarzhinha a partir do contexto francês, mais urbano do que rural , na qual o acesso a cibercultura atinge a maior parte da população, principalmente dos jovens.
O Brasil, chamado de país em desenvolvimento, possui realidades históricas, sociais e econômicas diferentes do contexto francês. Mas também reconhecemos aqui o polegarzinho ou polegarzinha que Serres reconheceu no seu país.  Este sujeito já não constrói o conhecimento, já não estuda como seus pais, para ele atividade de memorização é desnecessário, copiar para quê? Ele sabe que pode acessar qualquer informação na hora que quiser. “Agora, a cabeça decapitada da polegarzinha se diferencia das antigas, mais bem-constituídas do que cheias.” (Serres,2013, p.37). A linguagem desse sujeito é outra e em consequência sua forma de pensar também.
A escola na qual esse sujeito passa boa parte do seu tempo vive em outra sintonia, esta nasceu muitos séculos atrás e possui grandes dificuldades em se atualizar. Assim para esta a polegarzinha é um estranho um ingrato que não reconhece o seu esforço para educá-lo. E como se não falassem a mesma língua, e não falam.

 É importante ressaltar que uma das funções da escola é contribuir para o desenvolvimento de competências e habilidades para que crianças e jovens atuem como autores na sociedade, para isso é preciso entender como essas crianças aprendem, em quais linguagens se comunicam e quais são as configurações sociais que estão inseridas. A escola precisa se constituir no diálogo  com os educandos  e se ressignificar de acordo com as problemáticas que surgem partir deste.Apenas dessa  forma a utilidade da escola como instituição será reconhecida pelo seu público. 

Um comentário:

  1. Pois é Luciene,
    acho que um dos grandes problemas da escola hoje é desconhecer quem são esses jovens alunos que chegam, ali transitam, vivem, convivem... Que fazem? que gostam? que querem? Como pensam? são os mesmos em qualquer lugar? sabemos muito pouco sobre eles... e sem esse conhecimento, continuamos tentando educar um sujeito abstrato, vazio...

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