quarta-feira, 29 de abril de 2015

O CONTEXTO É DIGITAL

Os processos de alfabetização e letramento não pode negar o contexto digital em que estamos inseridos. Magda Soares, dentre outros autores, esclarece que alfabetização e letramento não são as mesmas coisas. O primeiro está para decifração e uso dos códigos de escrita, já o segundo engloba “a leitura de mundo do sujeito” sua maneira de decifrar e usar os mais diversos códigos encontrados no seu cotidiano, inclusive o digital.  Uma criança de 04 anos ainda não alfabetizada, mas que manuseia sozinha um tablet, que interage com livros e jogos digitais já é letrada digitalmente, claro que como toda na vida de uma criança dessa idade está é também uma etapa inconclusa. 
No texto Não sei ler, logo, não posso usar o computador? Alfabetização e letramento no contexto do EJA  Coelho e Bonilla discutem o letramento digital e sua relação com alfabetização na educação de Jovens e adultos. Elas trazem a própria vivância e experiência dos alunos. Alguns deles acham “que não dá para usar o computador” sem saber ler,outros acham que o computador os ajudam no processos de alfabetização. As professoras enfatizam no texto que não se pode deixar de incluir a cultura de digital na educação desses alunos. Como fica claro no texto o aluno alfabetizado tem a possibilidade de fazer melhor uso do computador ou de outras tecnologias digitais, mas isso de forma nenhuma significa que seu contato com a tecnologia deve acontecer após o processo de alfabetização.

Desse modo os dois processos podem e devem acontecer conjuntamente. Quando mais cedo se desmanchar a imagem de monstro que o digital possui no imaginário desses alunos, que não nasceram na era digital mais se estará contribuindo para o crescimento formativo destes. 

terça-feira, 21 de abril de 2015

MOBILIDADE NA EDUCAÇÃO



A mobilidade nas últimas décadas tem se feito cada vez mais presente e indispensável nos processos de interação humana. Os telefones celulares apenas com a função de fazer e receber chamada permitiu que as pessoas pudessem se comunicar de qualquer lugar, quebrando a rigidez do telefone fixo. A entrada destes no mercado foi tão forte que muitas famílias e indivíduos pularam da era do fixo direto para o móvel, ou seja, o primeiro aparelho de telefonia adquirido por essas pessoas foi o celular (Pallenda 2009). Aos poucos os celulares foram ganhando outras funções como, mandar mensagens de textos, ouvir músicas, tirar fotos até chegar a versão atual que não se conta facilmente todas as suas funções.
Os notebooks também foram grandes responsáveis pelo o crescimento da mobilidade, estes deram lugar aos computadores estáticos, fixos numa mesa. Com os notebooks as pessoas puderam armazenar e acessar documentos e arquivos em qualquer lugar otimizando seu tempo de trabalho e estudo.  A favor destes aparatos nasce e aos poucos foi se popularizando a internet móvel através de modens e em seguida a famosa WI-FI. Assim a conectividade da rede fica literamente na mão dos usuários permitindo-os acessar informações, se comunicar e interagir de acordo com seus interesses de forma rápida, dinâmica e diversificada.

Essa conexão se dá hoje com o suporte dos celulares, PDAs, smartphones e demais aparelhos de computação portáteis. Esses dispositivos estão imersos nas redes wireless que se expandem rapidamente em coberturas e velocidade de banda
.( Pallenda 2009,p.13)

No meio de todo esse acelerado processo de mudanças tecnológicas, está a escola com sua enorme dificuldade em acompanhar os avanços sejam elas, sociais, científicos ou tecnológicos. A escola tardou em abrir as portas para os computadores, notebooks e a própria internet e quando fez foi de forma bem discreta através de laboratórios fechados, acessíveis a poucos, entre outros motivos alegando falta de recursos.
No atual contexto se  trava uma luta contra os aparelhos móveis, tabletes e celulares, especialmente o último, visto como grande vilão por ser o mais usado pelos estudantes.  Os celulares com suas múltiplas possibilidades, conectados a rede é posto como inimigo dos processos educativos em sala de aula. Em muitas municípios existem leis especificas que proíbe o uso do aparato em sala. Não são raros os episódios de agressão verbal e até física entre professor e aluno quando o último desobedece a “lei” do não uso. Pallenda cita uma experiência desta que ocorreu em Portugal como citado abaixo.

Esta ligação entre o jovem e seu aparelho celular é tão profunda que o telejornal da TV Portuguesa SIC destacou 2 uma briga entre um professor que pretendia retirar o dispositivo de uma aluna. A jovem relutou e o episódio acabou em violência física. (2009, p.14)

Entretanto as opiniões sobre o uso de aparatos móveis em sala são diversas, há quem refute totalmente o uso deste, como já explicitado, a os que aceitem parcialmente, e ainda uma pequena parcela que acha que o móvel pode ser um importante parceiro.
O que se fazer diante desse quadro? De um lado alunos ávidos para usar seus aparelhos, aflitos por estarem desconectados, do outro lado professores fugindo de uma competição com todo o que pode significar o uso do celular em sala.
As tecnologias são pensadas para melhor a vida humana, otimizar o tempo,possibilitar interações, resolver problemas. Seria incoerente o ser humano criar algo para dificultar sua própria vida, o que algumas vezes aparenta acontecer. Acredito que é necessário pensar políticas de formação continuada de professores que os incluam e os oportunizem a aprender a lidar com essa chamada era digital dentro da sala de aula. Os aparelhos móveis conectados a rede precisam ser vistos como um potencializador do conhecimento e não como um empecilho. É preciso desenvolver a capacidade de usar a tecnologia a favor da educação escolar caso ao contrário seu lugar no mundo só  se estreitará, cada vez mais, não se pode continuar arcaico no mundo pós-moderno, no qual o sólido se dissolve dando espaço para o líquido ( Bauman,2011).  


BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Tradução: Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

PELLANDA, Eduardo Campos, COMUNICAÇÃO MÓVEL NO CONTEXTO BRASILEIRO.p.11 -18. IN Comunicação e mobilidade : aspectos socioculturais das tecnologias móveis de comunicação noBrasil / André Lemos, Fabio Josgrilberg organizadores. - Salvador : EDUFBA, 2009.
156 p.




quarta-feira, 15 de abril de 2015

Aprendendo sobre Software Livre.

Escrever o que a partir de um texto sobre Software Livre? Meu conhecimento sobre tecnologia parte da superficialidade ou simplesmente do uso. Escolhi cursar a disciplina porque me interessa a discussão sobre o uso das tecnologias digitais dentro do campo da educação. Entretanto quando os temas vão se estreitando, saindo do geral para o específico sinto uma barreira que se cria com o desconhecido. Comparando a tecnologia com o corpo humano é como se meu fascínio estivesse pelo  externo, o visível ao olho, como pele, textura de cabelos, cor dos olhos, acessórios,  e me deparasse com estudo sobre estrutura óssea, corrente sanguínea...  Vejo esse desafio como algo positiva de grande relevância para minha formação, pois as discussões em sala e as leituras dos textos indicados me tiram do simples papel de usuário, agente consumidor, para sujeito crítico que começa a ser consciente do que está usando. 
O artigo da professora Bonilla foi o primeiro texto que li sobre Software Livre, por isso a pergunta sobre o que escrever. Essa falta de familiaridade com o tema talvez se explique no próprio artigo quando a professora Bonilla diz:

A formação dos professores para o uso das tecnologias digitais, no Brasil, ainda continua sendo, prioritariamente, realizada após os professores saírem das universidades, quando em serviço, uma vez que a maioria dos cursos de formação inicial não contempla essa área nos currículos. (2014, p. 221)

Sou oriunda do curso de licenciaturas em letras, o qual concluí em 2012. Não tive durante a graduação nenhuma disciplina que discutisse tecnologia digital. Lembro que quando precisávamos usar o laboratório de informática, o qual havia adotado o Software Livre, Linux, ficávamos perdidos, conseguíamos apenas abrir um navegador da internet. A disputa era grande para um ou dos computadores que ainda operavam o Windows.  Dessa forma a partir da minha própria experiência formativa só posso concordar com a Professora Bonilla.


As universidades brasileiras, locus da produção do conhecimento, da inovação e da pesquisa, ainda não incorporaram, de forma plena, nos cursos de licenciatura a discussão sobre o contexto tecnológico contemporâneo. Menos ainda, a discussão sobre software livre; até porque, salvo alguns grupos restritos, a maioria dos formadores usam exclusivamente software proprietário e também desconhecem o que seja software livre.(2014,p.221)

Na última Quarta-Feira, dia 15, tivemos a oportunidade de assistir uma discussão sobre Software Livre, no Instituto Federal da Bahia, IFBA. O que ouvi lá, somado a leitura do artigo, contribuiu para que eu  começasse entender o tema e sua relevância na educação bem como no modelo de sociedade que se busca.Pretendo continuar estudando mais sobre o tema para que dessa forma possa ter uma opinião para além do senso comum.


Referência
BONILLA, Maria Helena. Software Livre e Educação: uma relação em Construção. PERSPECTIVA, Florianópolis, v. 32, n. 1, 205-234, jan./abr. 2014