terça-feira, 19 de maio de 2015







O artigo Inclusão Digital: Ambiguidades em Curso (Bonilla;Oliveira,2011) levanta algumas questões que eu ainda não havia pensando sobre. Como a construção e disseminação do termo exclusão e em conseqüência inclusão. Os autores lançam luz sobre esses termos mostrando como eles não dão conta das problemáticas que envolvem as desigualdades sociais e algumas situações irão reforçá-las.
 Concordo com os autores e acrescento que o conceito de exclusão foi construído e propagado por aqueles que se encontram nos grupos privilegiados, assim decidiram quem está excluído e de que está excluído. São os mesmos que vão discutir programas de inclusão, segundo critérios próprios. A principio desconfio de avaliações que parte de cima para baixo, de fora para dentro pelas possibilidades de preconceitos que essas avaliações produzem.  
A outra questão levantada pelos autores é sobre a eficácia dos programas de inclusão digital, e já explicam que se há problemas com conceito de exclusão não será diferentes o conceito de inclusão.Eles criticam a maneira como estes programas são pensados e colocados em prática.
A crítica trazida pelos autores é de grande valia, entretanto acredito que os programas de inclusão digital trouxeram alguns benefícios às comunidades “contempladas”. Estes programas despertaram o interesse dos jovens para o mundo digital, principalmente antes da proliferação dos smartphones. Há 10 anos muitos jovens, inclusive na capital, só tinha acesso ao mundo virtual através dos infocentros e Lanhouse particulares. O problema é que tais programas deram uma “ponta pé” inicial, mas não conseguiram avançar, ficaram estagnados no primeiro movimento.
E necessário avançar nas políticas e ações para que cada vez mais o acesso as tecnologias digitais e todo que ela representa alcance de igual modo toda a população brasileira e que se rompa essa corda de divisão social que de um lado estão os taxados de excluídos e do outros os privilegiados, que por nunca terem sido excluídos não podem ser chamados de inclusos.  



terça-feira, 12 de maio de 2015

A POLEGARZINHA E A ESCOLA

“Não habitamos mais o mesmo tempo;
             eles vivem outra história.” ( Serres,2013, p.17)


O livro Polegarzinha  de Michel Serres traça um perfil de um individuo nascido na era digital e conectado a esta através de dispositivos como o celular.  A palavra faz referência ao polegar usado para escrever no celular que começou com o teclado fixo e continua até hoje com o teclado touchscreen.  Serres fala da polegarzhinha a partir do contexto francês, mais urbano do que rural , na qual o acesso a cibercultura atinge a maior parte da população, principalmente dos jovens.
O Brasil, chamado de país em desenvolvimento, possui realidades históricas, sociais e econômicas diferentes do contexto francês. Mas também reconhecemos aqui o polegarzinho ou polegarzinha que Serres reconheceu no seu país.  Este sujeito já não constrói o conhecimento, já não estuda como seus pais, para ele atividade de memorização é desnecessário, copiar para quê? Ele sabe que pode acessar qualquer informação na hora que quiser. “Agora, a cabeça decapitada da polegarzinha se diferencia das antigas, mais bem-constituídas do que cheias.” (Serres,2013, p.37). A linguagem desse sujeito é outra e em consequência sua forma de pensar também.
A escola na qual esse sujeito passa boa parte do seu tempo vive em outra sintonia, esta nasceu muitos séculos atrás e possui grandes dificuldades em se atualizar. Assim para esta a polegarzinha é um estranho um ingrato que não reconhece o seu esforço para educá-lo. E como se não falassem a mesma língua, e não falam.

 É importante ressaltar que uma das funções da escola é contribuir para o desenvolvimento de competências e habilidades para que crianças e jovens atuem como autores na sociedade, para isso é preciso entender como essas crianças aprendem, em quais linguagens se comunicam e quais são as configurações sociais que estão inseridas. A escola precisa se constituir no diálogo  com os educandos  e se ressignificar de acordo com as problemáticas que surgem partir deste.Apenas dessa  forma a utilidade da escola como instituição será reconhecida pelo seu público. 

terça-feira, 5 de maio de 2015

REDES SOCIAIS, PESSOAS EM CONEXÃO...

Ao fazer a leitura do material proposto por Silvana e Georgina sobre Redes Sociais não pode deixar de rememorar minha entrada no mundo virtual. Fiz um curso de informática oferecido pela prefeitura do município de Capim Grosso em parceira com AEC_TEA associação. O curso fazia parte de um programa digital com 40 horas de duração. Tínhamos noções básicas de informática e a inserção nas redes sociais, o momento mais desejado pela turma. Foi nesse curso que fiz meu primeiro email, uma conta do hotmail e foi com ele que me viciei no Messenger o famoso MSN, Lá também fiz minha conta no Orkut. Na época adicionava qualquer um na minha rede, queria aumentá-la. Até hoje excluo gente dessa época. O analfabetismo digital  na cidade era tão grande que após esse curso fui convidada para continuar no programa como monitora.   A partir daí nunca mais me desconectei.
De acordo com a tese de doutorado defendida por Camila Lima Santana intitulada ESTRATÉGIAS E AÇÕES DOCENTES NO TWITTER ( 2014) as redes sociais antecede a cibercultura, as pessoas ao se  unirem ou se relacionaram por interesses incomuns  vão constituindo redes como clubes, igrejas, associações e  coletivos.  Com a criação da web 2.0 foi possível criar redes sociais também no espaço virtual. Dessa forma as pessoas puderam ter acesso as mais diversas redes sociais e dentro destas ir tecendo suas próprias redes. Entender que as redes sociais antecede, o espaço virtual e está para além deste, serve para quebrar preconceitos sobre o tema e nos conscientizar que o mais importante em qualquer rede social é a interação entre as pessoas. A tecnologia está para as pessoas é a recíproca não é verdadeira.

Minha relação com as redes sociais no ambiente digital vem mudando e se ressignificando. O primeiro estágio foi o de encantamento, adicionava pessoas sem nenhum critério, iniciava bate-papo só pela curiosidade de descobrir quem estava do outro lado. O segundo estágio foi de compartilhamento, compartilhar o que estava fazendo, como e com quem, parecia que os acontecimentos só se validavam depois do compartilhamento. O terceiro estágio foi de limpeza, excluir todas as pessoas que não somavam aos meus interesses, que possuíam perfis destoante do meu,  pessoas que me reconhecia no ciberespaço mas me ignorava nos demais espaços.  No atual estágio, em construção, tenho sido mais seletiva ao aceitar um novo membro a minhas redes, penso no que vou compartilhar e com quem, e mantenho relações no ciberespaço com pessoas que estão ligadas a mim por algum interesse, algum laço, desde o campo afetivo até o campo profissional.  


quarta-feira, 29 de abril de 2015

O CONTEXTO É DIGITAL

Os processos de alfabetização e letramento não pode negar o contexto digital em que estamos inseridos. Magda Soares, dentre outros autores, esclarece que alfabetização e letramento não são as mesmas coisas. O primeiro está para decifração e uso dos códigos de escrita, já o segundo engloba “a leitura de mundo do sujeito” sua maneira de decifrar e usar os mais diversos códigos encontrados no seu cotidiano, inclusive o digital.  Uma criança de 04 anos ainda não alfabetizada, mas que manuseia sozinha um tablet, que interage com livros e jogos digitais já é letrada digitalmente, claro que como toda na vida de uma criança dessa idade está é também uma etapa inconclusa. 
No texto Não sei ler, logo, não posso usar o computador? Alfabetização e letramento no contexto do EJA  Coelho e Bonilla discutem o letramento digital e sua relação com alfabetização na educação de Jovens e adultos. Elas trazem a própria vivância e experiência dos alunos. Alguns deles acham “que não dá para usar o computador” sem saber ler,outros acham que o computador os ajudam no processos de alfabetização. As professoras enfatizam no texto que não se pode deixar de incluir a cultura de digital na educação desses alunos. Como fica claro no texto o aluno alfabetizado tem a possibilidade de fazer melhor uso do computador ou de outras tecnologias digitais, mas isso de forma nenhuma significa que seu contato com a tecnologia deve acontecer após o processo de alfabetização.

Desse modo os dois processos podem e devem acontecer conjuntamente. Quando mais cedo se desmanchar a imagem de monstro que o digital possui no imaginário desses alunos, que não nasceram na era digital mais se estará contribuindo para o crescimento formativo destes. 

terça-feira, 21 de abril de 2015

MOBILIDADE NA EDUCAÇÃO



A mobilidade nas últimas décadas tem se feito cada vez mais presente e indispensável nos processos de interação humana. Os telefones celulares apenas com a função de fazer e receber chamada permitiu que as pessoas pudessem se comunicar de qualquer lugar, quebrando a rigidez do telefone fixo. A entrada destes no mercado foi tão forte que muitas famílias e indivíduos pularam da era do fixo direto para o móvel, ou seja, o primeiro aparelho de telefonia adquirido por essas pessoas foi o celular (Pallenda 2009). Aos poucos os celulares foram ganhando outras funções como, mandar mensagens de textos, ouvir músicas, tirar fotos até chegar a versão atual que não se conta facilmente todas as suas funções.
Os notebooks também foram grandes responsáveis pelo o crescimento da mobilidade, estes deram lugar aos computadores estáticos, fixos numa mesa. Com os notebooks as pessoas puderam armazenar e acessar documentos e arquivos em qualquer lugar otimizando seu tempo de trabalho e estudo.  A favor destes aparatos nasce e aos poucos foi se popularizando a internet móvel através de modens e em seguida a famosa WI-FI. Assim a conectividade da rede fica literamente na mão dos usuários permitindo-os acessar informações, se comunicar e interagir de acordo com seus interesses de forma rápida, dinâmica e diversificada.

Essa conexão se dá hoje com o suporte dos celulares, PDAs, smartphones e demais aparelhos de computação portáteis. Esses dispositivos estão imersos nas redes wireless que se expandem rapidamente em coberturas e velocidade de banda
.( Pallenda 2009,p.13)

No meio de todo esse acelerado processo de mudanças tecnológicas, está a escola com sua enorme dificuldade em acompanhar os avanços sejam elas, sociais, científicos ou tecnológicos. A escola tardou em abrir as portas para os computadores, notebooks e a própria internet e quando fez foi de forma bem discreta através de laboratórios fechados, acessíveis a poucos, entre outros motivos alegando falta de recursos.
No atual contexto se  trava uma luta contra os aparelhos móveis, tabletes e celulares, especialmente o último, visto como grande vilão por ser o mais usado pelos estudantes.  Os celulares com suas múltiplas possibilidades, conectados a rede é posto como inimigo dos processos educativos em sala de aula. Em muitas municípios existem leis especificas que proíbe o uso do aparato em sala. Não são raros os episódios de agressão verbal e até física entre professor e aluno quando o último desobedece a “lei” do não uso. Pallenda cita uma experiência desta que ocorreu em Portugal como citado abaixo.

Esta ligação entre o jovem e seu aparelho celular é tão profunda que o telejornal da TV Portuguesa SIC destacou 2 uma briga entre um professor que pretendia retirar o dispositivo de uma aluna. A jovem relutou e o episódio acabou em violência física. (2009, p.14)

Entretanto as opiniões sobre o uso de aparatos móveis em sala são diversas, há quem refute totalmente o uso deste, como já explicitado, a os que aceitem parcialmente, e ainda uma pequena parcela que acha que o móvel pode ser um importante parceiro.
O que se fazer diante desse quadro? De um lado alunos ávidos para usar seus aparelhos, aflitos por estarem desconectados, do outro lado professores fugindo de uma competição com todo o que pode significar o uso do celular em sala.
As tecnologias são pensadas para melhor a vida humana, otimizar o tempo,possibilitar interações, resolver problemas. Seria incoerente o ser humano criar algo para dificultar sua própria vida, o que algumas vezes aparenta acontecer. Acredito que é necessário pensar políticas de formação continuada de professores que os incluam e os oportunizem a aprender a lidar com essa chamada era digital dentro da sala de aula. Os aparelhos móveis conectados a rede precisam ser vistos como um potencializador do conhecimento e não como um empecilho. É preciso desenvolver a capacidade de usar a tecnologia a favor da educação escolar caso ao contrário seu lugar no mundo só  se estreitará, cada vez mais, não se pode continuar arcaico no mundo pós-moderno, no qual o sólido se dissolve dando espaço para o líquido ( Bauman,2011).  


BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Tradução: Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

PELLANDA, Eduardo Campos, COMUNICAÇÃO MÓVEL NO CONTEXTO BRASILEIRO.p.11 -18. IN Comunicação e mobilidade : aspectos socioculturais das tecnologias móveis de comunicação noBrasil / André Lemos, Fabio Josgrilberg organizadores. - Salvador : EDUFBA, 2009.
156 p.




quarta-feira, 15 de abril de 2015

Aprendendo sobre Software Livre.

Escrever o que a partir de um texto sobre Software Livre? Meu conhecimento sobre tecnologia parte da superficialidade ou simplesmente do uso. Escolhi cursar a disciplina porque me interessa a discussão sobre o uso das tecnologias digitais dentro do campo da educação. Entretanto quando os temas vão se estreitando, saindo do geral para o específico sinto uma barreira que se cria com o desconhecido. Comparando a tecnologia com o corpo humano é como se meu fascínio estivesse pelo  externo, o visível ao olho, como pele, textura de cabelos, cor dos olhos, acessórios,  e me deparasse com estudo sobre estrutura óssea, corrente sanguínea...  Vejo esse desafio como algo positiva de grande relevância para minha formação, pois as discussões em sala e as leituras dos textos indicados me tiram do simples papel de usuário, agente consumidor, para sujeito crítico que começa a ser consciente do que está usando. 
O artigo da professora Bonilla foi o primeiro texto que li sobre Software Livre, por isso a pergunta sobre o que escrever. Essa falta de familiaridade com o tema talvez se explique no próprio artigo quando a professora Bonilla diz:

A formação dos professores para o uso das tecnologias digitais, no Brasil, ainda continua sendo, prioritariamente, realizada após os professores saírem das universidades, quando em serviço, uma vez que a maioria dos cursos de formação inicial não contempla essa área nos currículos. (2014, p. 221)

Sou oriunda do curso de licenciaturas em letras, o qual concluí em 2012. Não tive durante a graduação nenhuma disciplina que discutisse tecnologia digital. Lembro que quando precisávamos usar o laboratório de informática, o qual havia adotado o Software Livre, Linux, ficávamos perdidos, conseguíamos apenas abrir um navegador da internet. A disputa era grande para um ou dos computadores que ainda operavam o Windows.  Dessa forma a partir da minha própria experiência formativa só posso concordar com a Professora Bonilla.


As universidades brasileiras, locus da produção do conhecimento, da inovação e da pesquisa, ainda não incorporaram, de forma plena, nos cursos de licenciatura a discussão sobre o contexto tecnológico contemporâneo. Menos ainda, a discussão sobre software livre; até porque, salvo alguns grupos restritos, a maioria dos formadores usam exclusivamente software proprietário e também desconhecem o que seja software livre.(2014,p.221)

Na última Quarta-Feira, dia 15, tivemos a oportunidade de assistir uma discussão sobre Software Livre, no Instituto Federal da Bahia, IFBA. O que ouvi lá, somado a leitura do artigo, contribuiu para que eu  começasse entender o tema e sua relevância na educação bem como no modelo de sociedade que se busca.Pretendo continuar estudando mais sobre o tema para que dessa forma possa ter uma opinião para além do senso comum.


Referência
BONILLA, Maria Helena. Software Livre e Educação: uma relação em Construção. PERSPECTIVA, Florianópolis, v. 32, n. 1, 205-234, jan./abr. 2014


terça-feira, 17 de março de 2015

BREVE COMENTÁRIO SOBRE CIBERCULTURA

A cibercultura é discutida por Santaella (2003) como uma cultura “essencialmente heterogênea.” (p.103) e “[...] também uma cultura descentralizada, reticulada, baseadas em módulos autônomos.” Ela mostra a importância do ciberespaço e de seus elementos como a digitalização, internet, interface e hipermídia, para as novas construções e ressignificações culturais. A ideia da autora concorda com a de Levy (1999) quando ele afirma que “[...] estamos vivendo a abertura de um novo espaço de comunicação [...]”. (p.11).
O ciberespaço é construído dentro de uma interface que permite ao seu usuário escolher o que fazer, ver e divulgar. As opções de interação são múltiplas, criadas através de sites, bloggers e as diversas redes sociais.
A autora deixa claro que a construção de interface, que permite liberdade de escolha, não se iniciou na cibercultura.Os jornais impressos já apresentavam essa estrutura, ao se dividir por sessões independentes, permitindo que o leitor escolhesse ler o que lhes era mais interessante e pela ordem de sua preferência.

Esta ideia de interface dialoga com conceito de rizoma usado na biologia para definir a estrutura presente em algumas plantas, mais complexa do que a ideia de raiz. Na qual todas as partes estão interligadas sem diferenciação de inicio, meio e fim. Tal conceito foi adotado por DELEUZE e GUATTARI (1995) para discutir o conhecimento científico. É dessa forma também que enxergo as interfaces construídas no ciberespaço. O conteúdo é distribuído de uma forma não linear, na qual todas de alguma forma se relacionam, entretanto não são dependentes.





DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Félix. Mil platôs - capitalismo e esquizofrenia, vol. 1 / Tradução de Aurélio Guerra Neto e Célia Pinto Costa. 1 ed. Rio de janeiro: Ed. 34, 1995. (Coleção TRANS).

LÉVY, P. Cibercultura. Trad. Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Editora 34, 1999.


SANTAELLA, Lucia. Cultura e artes do pós-humano: da cultura das mídias à Cibercultura. São Paulo: Ed. Paulus, 2003.