terça-feira, 17 de março de 2015

BREVE COMENTÁRIO SOBRE CIBERCULTURA

A cibercultura é discutida por Santaella (2003) como uma cultura “essencialmente heterogênea.” (p.103) e “[...] também uma cultura descentralizada, reticulada, baseadas em módulos autônomos.” Ela mostra a importância do ciberespaço e de seus elementos como a digitalização, internet, interface e hipermídia, para as novas construções e ressignificações culturais. A ideia da autora concorda com a de Levy (1999) quando ele afirma que “[...] estamos vivendo a abertura de um novo espaço de comunicação [...]”. (p.11).
O ciberespaço é construído dentro de uma interface que permite ao seu usuário escolher o que fazer, ver e divulgar. As opções de interação são múltiplas, criadas através de sites, bloggers e as diversas redes sociais.
A autora deixa claro que a construção de interface, que permite liberdade de escolha, não se iniciou na cibercultura.Os jornais impressos já apresentavam essa estrutura, ao se dividir por sessões independentes, permitindo que o leitor escolhesse ler o que lhes era mais interessante e pela ordem de sua preferência.

Esta ideia de interface dialoga com conceito de rizoma usado na biologia para definir a estrutura presente em algumas plantas, mais complexa do que a ideia de raiz. Na qual todas as partes estão interligadas sem diferenciação de inicio, meio e fim. Tal conceito foi adotado por DELEUZE e GUATTARI (1995) para discutir o conhecimento científico. É dessa forma também que enxergo as interfaces construídas no ciberespaço. O conteúdo é distribuído de uma forma não linear, na qual todas de alguma forma se relacionam, entretanto não são dependentes.





DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Félix. Mil platôs - capitalismo e esquizofrenia, vol. 1 / Tradução de Aurélio Guerra Neto e Célia Pinto Costa. 1 ed. Rio de janeiro: Ed. 34, 1995. (Coleção TRANS).

LÉVY, P. Cibercultura. Trad. Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Editora 34, 1999.


SANTAELLA, Lucia. Cultura e artes do pós-humano: da cultura das mídias à Cibercultura. São Paulo: Ed. Paulus, 2003.

segunda-feira, 9 de março de 2015

A liquidez presente no Filme IN TIME




A primeira aula da disciplina EDC287 - EDUCAÇÃO E TECNOLOGIAS CONTEMPORÂNEAS, ministrada pela professora Maria Helena Bonilla, deixou como atividade “de casa” a proposta de leitura do prefácio e o terceiro capítulo do Livro Modernidade Líquida de BAUMAN (2011). Ao realizar tal leitura na qual o autor discute o conceito de Liquidez e Tempo X Espaço sugiram na minha mente as imagens do filme IN TIME (o preço do amanhã) de Andrew Niccol. O filme trata do tempo e o seu valor, relações de trabalho bem como a relação do homem com a máquina ou a tecnologia.
O enredo se apresenta num contexto futurista, mas próximo, ao julgar pelas imagens sociais e estruturais criadas para ambientá-lo. O mesmo traz uma nova condição ou estágio humano criado a partir da evolução das ciências e de novas tecnologias que modificaram  o estado temporal do homem, agora capaz de controlar a sua existência. Modificados geneticamente o ser humano teria seu processo de envelhecimento interrompido aos 25 anos, porém seu tempo de vida passaria a ser recebido e gasto como salário. Ele precisaria trabalhar diariamente para ganhar um saldo de tempo no final do dia e assim manter-se  vivo e pagar suas contas. Para os operários minutos de vidas usados para comer ou para pagar transporte poderiam lhes custar a própria vida. Enquanto os ricos poderiam viver eternamente.  Toda essa logística gerida por mecanismos tecnológicos que mantinham todos sob vigilância.
Bauman usa a fluidez das soluções líquidas para exemplificar os processos que são construídos a sociedade moderna. Fluir significa inconstância e insegurança vividas também pelos personagens do filme. Mas também oferece mudanças e possibilidades. Para Bauman a modernidade sólida seriam como o hardware fixo e limitado. Já a modernidade líquida seria o software, em constante mudança e evoluções. O tempo e o espaço também tomam dimensões e significados diferentes diante de cada uma destas. E é na última que se cria o espaço virtual capaz de quebrar fronteiras físicas e desafiar o tempo.
Ao pensar em espaço virtual retomo ao filme IN TIME no qual o avanço tecnológico esfriou e distanciou as relações humanas. Este é um medo real de muitas pessoas na nossa sociedade.Diante disso lanço alguns questionamentos meus que precisam de mais tempo e amadurecimento teóricos para serem discutidos: Até que ponto o espaço virtual nos distancia do real? Estão as relações interpessoais mais frias com os novos meios de comunicação? Ou se fortaleceram? Como educar no espaço virtual e para além deste?   



BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Tradução: Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.