O artigo Inclusão Digital: Ambiguidades em Curso (Bonilla;Oliveira,2011)
levanta algumas questões que eu ainda não havia pensando sobre. Como a
construção e disseminação do termo exclusão e em conseqüência inclusão. Os
autores lançam luz sobre esses termos mostrando como eles não dão conta das
problemáticas que envolvem as desigualdades sociais e algumas situações irão reforçá-las.
Concordo com os autores e acrescento que o
conceito de exclusão foi construído e propagado por aqueles que se encontram nos
grupos privilegiados, assim decidiram quem está excluído e de que está excluído.
São os mesmos que vão discutir programas de inclusão, segundo critérios próprios.
A principio desconfio de avaliações que parte de cima para baixo, de fora para
dentro pelas possibilidades de preconceitos que essas avaliações produzem.
A outra questão levantada
pelos autores é sobre a eficácia dos programas de inclusão digital, e já explicam
que se há problemas com conceito de exclusão não será diferentes o conceito de
inclusão.Eles criticam a maneira como estes programas são pensados e colocados
em prática.
A crítica trazida pelos
autores é de grande valia, entretanto acredito que os programas de inclusão
digital trouxeram alguns benefícios às comunidades “contempladas”. Estes
programas despertaram o interesse dos jovens para o mundo digital,
principalmente antes da proliferação dos smartphones. Há 10 anos muitos jovens,
inclusive na capital, só tinha acesso ao mundo virtual através dos infocentros e Lanhouse particulares. O problema é que tais programas deram uma
“ponta pé” inicial, mas não conseguiram avançar, ficaram estagnados no primeiro
movimento.
E necessário avançar nas
políticas e ações para que cada vez mais o acesso as tecnologias digitais e
todo que ela representa alcance de igual modo toda a população brasileira e que
se rompa essa corda de divisão social que de um lado estão os taxados de excluídos
e do outros os privilegiados, que por nunca terem sido excluídos não podem ser
chamados de inclusos.
