segunda-feira, 9 de março de 2015

A liquidez presente no Filme IN TIME




A primeira aula da disciplina EDC287 - EDUCAÇÃO E TECNOLOGIAS CONTEMPORÂNEAS, ministrada pela professora Maria Helena Bonilla, deixou como atividade “de casa” a proposta de leitura do prefácio e o terceiro capítulo do Livro Modernidade Líquida de BAUMAN (2011). Ao realizar tal leitura na qual o autor discute o conceito de Liquidez e Tempo X Espaço sugiram na minha mente as imagens do filme IN TIME (o preço do amanhã) de Andrew Niccol. O filme trata do tempo e o seu valor, relações de trabalho bem como a relação do homem com a máquina ou a tecnologia.
O enredo se apresenta num contexto futurista, mas próximo, ao julgar pelas imagens sociais e estruturais criadas para ambientá-lo. O mesmo traz uma nova condição ou estágio humano criado a partir da evolução das ciências e de novas tecnologias que modificaram  o estado temporal do homem, agora capaz de controlar a sua existência. Modificados geneticamente o ser humano teria seu processo de envelhecimento interrompido aos 25 anos, porém seu tempo de vida passaria a ser recebido e gasto como salário. Ele precisaria trabalhar diariamente para ganhar um saldo de tempo no final do dia e assim manter-se  vivo e pagar suas contas. Para os operários minutos de vidas usados para comer ou para pagar transporte poderiam lhes custar a própria vida. Enquanto os ricos poderiam viver eternamente.  Toda essa logística gerida por mecanismos tecnológicos que mantinham todos sob vigilância.
Bauman usa a fluidez das soluções líquidas para exemplificar os processos que são construídos a sociedade moderna. Fluir significa inconstância e insegurança vividas também pelos personagens do filme. Mas também oferece mudanças e possibilidades. Para Bauman a modernidade sólida seriam como o hardware fixo e limitado. Já a modernidade líquida seria o software, em constante mudança e evoluções. O tempo e o espaço também tomam dimensões e significados diferentes diante de cada uma destas. E é na última que se cria o espaço virtual capaz de quebrar fronteiras físicas e desafiar o tempo.
Ao pensar em espaço virtual retomo ao filme IN TIME no qual o avanço tecnológico esfriou e distanciou as relações humanas. Este é um medo real de muitas pessoas na nossa sociedade.Diante disso lanço alguns questionamentos meus que precisam de mais tempo e amadurecimento teóricos para serem discutidos: Até que ponto o espaço virtual nos distancia do real? Estão as relações interpessoais mais frias com os novos meios de comunicação? Ou se fortaleceram? Como educar no espaço virtual e para além deste?   



BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Tradução: Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

Um comentário:

  1. Oi Luciene,
    legal a relação com o filme. Agora, a questão que faço é: são, efetivamente, espaço virtual e real antagônicos, ou opostos? Qual a relação entre eles? Precisamos nos debruçar sobre os conceitos de virtualidade e realidade para compreendermos efetivamente o papel das tecnologias na vida social e individual... Vamos lá!

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